Assamble

Esta é a 7ª edição do The STARTUP Analysis.

O mundo dos investimentos, de maneira geral, enfrenta certas turbulências. A última semana foi marcada principalmente pelo mercado crypto que passou por duras quedas, em contrapartida, nosso ecossistema de startups brasileiro teve mais uma boa notícia com o anúncio de um fundo para investir R$ 600 Milhões da B3, a bolsa de valores brasileira. Isso mostra que, apesar de um cenário macro menos favorável, o mercado nacional ainda tem espaço para crescimento e liquidez. Talvez o cenário seja de diminuição de euforia, ou seja, alguns cases que vimos com múltiplos exagerados, talvez fiquem mais raro. É o momento de ser mais analítico e seletivo em suas escolhas e para contribuir com esse processo de análise e ajudar aos empreendedores se prepararem para um round, estou escrevendo este material semanal. Se você vem acompanhando e gostando do conteúdo, passe para os seus amigos o link de inscrição: https://joaokepler.com.br/the-startup-analysis/, para que assim possamos contribuir ainda mais para o desenvolvimento deste mercado.

Nesta edição, farei uma nova análise de uma startup enviada por leitores, trazendo novamente o incentivo para que você empreendedor inscreva o seu deck através do link no final deste e-mail e tenha a chance de aparecer por aqui.

Como sempre gosto de ressaltar, minhas análises aqui não são recomendações de investimento, assim como o fato de o João Kepler dizer que não investiria, não significa que a Startup não é “investível”. Meu foco é trazer educação e novidades dentro do ecossistema de startups.

Abraço e boa leitura.

1. ANÁLISE DECK

STARTUP: Assamble

O Assamble é o sistema de gestão online para produtores criativos. A ideia é trazer a profissionalização e digitalização da gestão deste público formado principalmente por autônomos e microempreendedores. A ideia é facilitar todo processo de orçamentos, pedidos, agenda e calendário, em uma solução acessível e de baixo custo.

Problema

Apresentam como problema a ser resolvido três aspectos ligados à gestão: a baixa rentabilidade, atrasos de entrega e dificuldade em crescer, de fato são três questões significativas e que se solucionadas geram valor para o público.

A grande questão a ser entendida é como de fato o produto da startup vai ser capaz e suficiente para atacar estas dores. Sempre ao apresentar o problema é preciso ter cuidado, se de fato são as dores que seu produto resolve e está direcionado.

Problema
Mercado

Mercado

Interessante a apresentação do mercado bem fundamentada com dados e fontes de alta credibilidade, o volume de fato é alto e um mercado grande, por outro lado, não acredito que seja um mercado simples de penetrar. É um público ainda pouco digitalizado, o que dificulta a escalabilidade da solução, inicialmente isso pode provocar alto custo de aquisição do cliente e uma necessidade de suporte mais individualizado.

Solução

No pitch trazem este overview do que entregam com o seu produto e ainda algumas telas, que para não ficar muito extenso por aqui, recomendo que confira no site da startup todas as funções. Mas o interessante é que querem gerar valor em todo o ciclo deste artesão, desde a produção á venda.

Trazem integrações com meios de pagamento e possibilidades de criação de catálogos online. Pela apresentação, a solução me chamou muita atenção, o produto em si parece super interessante, mas novamente trago a ponderação sobre o nicho de mercado, com tantas funções em um público com pouco acesso a soluções de software, fico com receio se conseguem ter uma fácil experiência de uso.

Solução
Modelo de Negócio

Modelo de Negócio

O modelo é o simples e tradicional para SaaS, uma mensalidade que acredito que deve variar de acordo com as funcionalidades disponíveis, mas que acabaram não explicando no deck essa diferença de precificação, além disso, fiquei na dúvida em relação a apresentarem o modelo como B2B2C.

Um ponto interessante de pontuar na análise deste caso é que pelo baixo ticket, o negócio se assemelha muito a características típicas de B2C, ou seja, vão precisar de um alto volume de clientes, necessitando de elevado investimento em marketing e possivelmente lidando com um churn também elevado.

Resultados

A startup trouxe em seu deck alguns números dos dois anos que possui de operação. Aqui os principais pontos é que possui uma base alta de lead, que talvez evidencie a dificuldade comercial para conversão, possivelmente atribuída ao nicho que ocupa.

O valor alto em orçamentos é interessante, pode ter um potencial de monetização transacional que ainda não é explorado. Por fim, o número de clientes e MRR reforça a dor que trouxe no modelo de negócio de ticket baixo. Se mantiverem esse ticket médio, para chegarem em um MRR de R$ 100k por exemplo, precisariam de aproximadamente 6600 clientes, que seria uma base 35x maior que a que conseguiram nestes dois anos, uma jornada complexa.

Resultados
Time

Time

O time da startup tem uma complementariedade interessante, um ponto que me levantou uma dúvida é se o CTO tem participação no negócio, ponto que é sempre bastante importante, mas que neste caso, pelo CEO ser da área de tech, é um pouco mais tranquilo.

Outro aspecto relevante é já terem investidores no negócio, sinalização de credibilidade para o que estão construindo.

Não trouxeram dados específicos sobre rodada e valuation, mas apresentaram alguns dos próximos passos que gostariam de trilhar, pra mim dois fatores são muito importantes de serem pensados:

Upsell/aumento de ticket, ou seja o que podem agregar para aumentar a monetização por clientes e estratégias de growth, pois é o caminho que fará o negócio escalar.

Próximos Passos
Premiações

Premiações

A startup recebeu já algumas premiações e fui surpreendido no final do deck ainda com essa lembrança de uma participação minha na batalha de pitch do Sebrae/PI em que presenteei com um Kepler dólar.

Conclusão

Primeiramente, gostaria de agradecer aos founders pelo envio do deck e parabenizar pela iniciativa e propósito por trás do negócio, que é muito importante. Olhando pela ótica de investidor, pelo apresentado no deck, o produto me chamou muita atenção, a solução parece atender de forma completa a jornada do artesão, com funcionalidades bastante completas. Por algumas imagens da tela, a UI/UX parece interessante e de fato estar buscando resolver as dores que apresentou como problema do mercado.
 
Quanto a solução, único ponto que eu me atentaria é a jornada do usuário ser simplificado, para que não tenham problema de usabilidade. Sobre o mercado em que estão tendo como alvo é onde tenho minhas maiores preocupações, é um negócio que precisará de volume de clientes e vejo que as estratégias de aquisição são complexas. Talvez um caminho pode se dar através de trabalhar canais com parceiros, associações e outros grupos que tenham interação com este público.
 
Esse gargalo comercial pode explicar a razão de ainda não conseguirem ter tracionado o faturamento e já estar com um MRR elevado, então acredito que o foco de estratégia deve ser growth e que se plugado a um investidor que traga esse smart, junto com o aporte financeiro, vejo um potencial muito interessante de crescimento. Negócios em estágio inicial, sempre vão ter gargalos, o investidor early stage não pode esperar a startup 100% perfeita, mas precisa ter a visão se é um ponto que ele conseguiria ajudar a sanar e assim potencializar o seu capital fazendo o negócio crescer de forma acelerada, assim vai conseguir ter o melhor retorno.
Desejo grande sucesso a todo time da Assamble e gostaria muito de conversar com o negócio no próximo estágio, com um resultado um pouco mais robusto de faturamento, momento que encaixaria melhor na minha tese. E você que está lendo, não deixe de conferir o trabalho da startup em seu site: https://www.assamble.com.br

Lembrando, essa não é uma recomendação de investimento e é fundamental que você sempre realize as suas próprias análises antes da tomada de decisão.

2. CINCO STARTUPS TO WATCH

Destaco ainda alguns negócios que me deparei recentemente e acredito que valem a atenção de todos:

1. SuperOpa

Aplicativo que permite a compra de diversos produtos diretamente da distribuidora e também produtos próximos ao vencimento.

2. Easyjur

Legaltech com atuação focada no desenvolvimento de soluções tecnológicas para o meio jurídico.

3. Packid

Plataforma com IOT embarcado para monitoramento e controle de refrigerados.

4. Nextron

Plataforma para conectar de maneira dinâmica o consumidor de energia residencial e comercial á projetos de energia renovável em sua região.

5. Tractian

Conjunto de softwares e hardware para realização de monitoramento industrial. Acaba de captar um Series A de R$ 80 milhões.

3. OVERVIEW DO MERCADO

Estamos encerrando mais uma temporada de balanços aqui no Brasil, com isso vou trazer um pouco do que enxerguei nas empresas de capital aberto com viés mais tech que podemos correlacionar com o mercado de startups.

Um dos resultados mais interessantes foi o da Meliuz, que apesar de ter tido um prejuízo no Q1, viu sua receita crescer mais de 74% se comparado ao mesmo período do ano anterior e o GMV cresceu cerca de 66% também em relação ao Q1 de 2021, acredito que isso sinaliza a continuidade do crescimento do varejo eletrônico, ou seja, oportunidade para diversas soluções, sejam retailtechs ou fintechs que aproveitam do alto volume transacionado.

Ainda falando de varejo, a Enjoei também teve um crescimento em seu GMV, um salto de 58% e ainda sua receita líquida um crescimento de 26%, ambos em relação ao mesmo período de 2021, reforçando o que trouxe no paragrafo anterior. A tese de marketplace e ecomerce inclusive é uma que está cada vez mais forte em diversos fundos de Venture Capital.

Mudando um pouco de ares, falando do mundo financeiro e seus bancos digitais, listado no Brasil, o Banco Inter apresentou bons números, reportando crescimento de lucro e base de clientes, enquanto isso, o Nubank, que é brasileiro mas ta listado nos EUA, não conseguiu encantar os investidores e como principal sinal negativo foi o seu aumento na inadimplência de clientes. Para fintechs que lidam com crédito, é importante neste momento atenção e maior controle de risco, pois com a diminuição da atividade econômica, pode ser que este cenário tenha uma piora.

Estes foram os setores e cases que gostaria de destacar, varejo e financeiro são sempre fortes indicadores do mercado em um nível geral, e pelo que vimos neste primeiro trimestre, o cenário não justifica o pânico que ficou em alguns mercados. Além disso, quando trazemos para a realidade de Venture Capital, que por não ser um ativo de liquidez tão ágil como bolsa, o pânico afeta ainda menos, e portanto o impacto é ainda mais reduzido.

4. PITCH REACT

Quer mais conteúdo em outro formato? Se ainda não conhece e para todos aqueles que já acompanham, não deixe de assistir ao PITCH REACT no meu canal.

Semanalmente as quartas à noite serão apresentados novos vídeos, meu objetivo é mostrar como eu reajo a apresentações de diferentes startups.

A ideia é que, ao mostrar os erros e acertos dos empreendedores – e um pouco da visão do investidor diante deste tipo de apresentação, quem esteja assistindo consiga absorver os aprendizados que precisa para inserir na sua própria jornada.

Se você não quer perder nenhum episódio, não se esqueça de se inscrever no meu canal e ativar as notificações!

Assista ao último vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=etYNK0hGv9E

Se você é uma startup e quer ser analisada e/ou aparecer aqui e ser analisada no The STARTUP Analysis:

Se você é uma startup e quer aplicar para a possibilidade de receber investimento na Bossanova:

Quer ler as ANALISES anteriores:

Esse Report não é uma recomendação de investimento e muito menos pedido de investimento. Antes de investir em Startups é importante observar os altos riscos envolvidos, verificar a legislação e a regulação vigente. Da mesma forma, antes de realizar qualquer investimento, sempre faça as suas próprias análises.